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 Ribeira de Linhares no Inverno
O Lagar de Azeite Mário Gomes Figueira está integrado numa propriedade agrícola de, aproximadamente, 16 hectares, designada por Tapada da Vozela. A propriedade é serpenteada por uma ribeira, ribeira de Linhares da Beira (aldeia histórica), com dois açudes e uma nora, erguendo-se amieiros ao longo das suas margens. Podemos observar a existência de um antigo moinho movido a água.
A riqueza hídrica da propriedade garante a diversidade da flora e da fauna existentes, contribuindo para a variedade do trabalho agrícola, sendo a pastorícia uma das actividades humanas da vida rural que se pode observar. A propriedade rural é constituída por uma zona de pinhal, uma zona de árvores de fruto (macieiras, pereiras, marmeleiros, figueiras, cerejeiras e aveleiras), olival, vinha, pastagem e uma zona de produção de batatas e milho.
Esta propriedade rural tem inúmeros pontos de interesse relacionados com a actividade agrícola, com a beleza paisagística deste espaço, com a riqueza da orografia, com o lúdico da linha de água, com a humanização do espaço e a sua relação com o uso do solo. Este património pertence à mesma família desde os meados do século XIX.
 Pedras de um lagar de vara
O lagar iniciou a sua laboração numa outra propriedade da mesma família, Entre-as-Águas, situada à beira da ribeira, sendo, nessa época, um lagar de vara. Esta construção foi arrasada por uma cheia da ribeira e foi tomada a decisão, por José Vaz, de o transferir para a actual propriedade, no início do século XX. A herança desta propriedade foi atribuída a seu filho único, Ximenes Oliva Vaz e sua esposa Adelaide Madalena Vaz. Em 1952 o casal doou os bens a seus filhos. Desta propriedade ficaram titulares sua filha Maria Alice Cerveira Fernandes Vaz e seu marido Mário Gomes Figueira que, no ano de 1953, procederam a grande remodelação. A sua laboração foi uma constante, através dos tempos, até ao ano de 1989.
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Elementos arquitectónicos, materiais de construção, técnicas tradicionais de construção |
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 Poldras entre amieiros
Trata-se de uma edificação simples e sóbria, harmoniosa dentro da simplicidade que caracteriza estas construções rurais, construída com paredes em pedra de granito e cobertura em telha cerâmica sobre estrutura de madeira. Esta edificação, de traça regional, foi construída em fases diferenciadas no tempo. A primeira fase, início do séc. XX, refere-se à construção rectangular principal, a segunda fase, em 1953, refere-se a um complemento rectangular
 Roda hidráulica
ainda em pedra, do lado Norte, equipando a construção com uma garagem e dois quartos e um acrescente com uma instalação sanitária. Estes últimos elementos contribuíram significativamente para a melhoria das condições de bem estar dos trabalhadores.
É digna de realce a existência da roda motora hidráulica, do lado Este da edificação, propulsionada em forma de turbina através de um regato de significativo caudal desviado propositadamente do leito da ribeira, que circunda toda a propriedade. A primitiva roda em madeira foi posteriormente substituída por uma roda de construção metálica. |
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Elementos de arqueologia industrial e tecnologia tradicional |
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No início a iluminação interior era feita com a ajuda de candeias de azeite, posteriormente estes instrumentos foram substituídos pelos candeeiros de carboneto ou gasómetros que funcionaram até ao momento em que a energia eléctrica chegou ao lagar. O funcionamento do lagar dependia de energia hídrica para movimentar a roda hidráulica de madeira.
 Moínho do lagar antes da recuperação
A água, desviada do leito da ribeira e controlado o seu caudal por uma comporta, seguia por uma levada de terra batida seguida de uma levada em pedra que terminava por uma caleira de madeira e que fazia cair a água sobre a roda motora hidráulica produzindo o seu funcionamento.
O movimento da roda accionava o movimento do moinho com duas galgas.
Para além do moinho, o lagar estava equipado com uma prensa hidráulica, seiras, uma bateria que controlava a pressão da prensa, uma caldeira com fornalha, duas tarefas em pedra, uma arca para guardar a maquia, pás, sacas, medidas, vasilhas para colocar o azeite produzido, uma lareira onde eram confeccionadas as refeições dos trabalhadores.
 Batedeira encapachadora
Em 1953 os seus novos proprietários verificaram a debilidade de alguma maquinaria e reconheceram a necessidade de mudar as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores no interior do lagar. Assim, foi acrescentado o edifício, como atrás se referiu, foi substituída a prensa hidráulica por uma mais potente, respectiva bateria e novas tarefas.
As alterações foram-se sucedendo e, neste momento, o lagar detém o seguinte equipamento, completamente recuperado: o moinho com duas galgas, uma batedeira, uma encapachadora, duas prensas hidráulicas, uma bateria com dois manómetro para registo da pressão das prensas, uma centrífuga, uma caldeira com fornalha, quatro tarefas, uma arca para guardar as maquias e artefactos vários utilizados durante a produção do azeite.
 Camioneta Dodge de 1948
O transporte da azeitona e do azeite era feito por burro ou por um carro de bois e, mais tarde, por um auto-pesado de marca Dodge, de 1948, ainda existente. As remodelações feitas ao longo dos tempos tinham como objectivos fundamentais: - a melhoria das condições de vida dos trabalhadores [alguns dos trabalhadores eram oriundos do concelho de Castro Daire];
- a melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores;
- a melhoria da qualidade do azeite produzido.
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