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 Casario de Vila Franca da Serra
Somos cidadãos portugueses que consideramos fundamental a preservação do património arquitectónico, cultural e natural, a defesa da literacia, a defesa do ambiente e a divulgação científica.
Consideramos que a partilha de memórias com a comunidade que vivenciou estes espaços no seu quotidiano, acompanhada de uma ampla investigação que articulará informações de natureza técnica, de natureza histórica e de natureza arqueológica, contribuirá, de uma forma relevante, para manter viva a Memória Colectiva das Gentes da Região.
Decidimos, por essa razão, ter um papel dinamizador na recuperação de património específico numa região do interior de Portugal.
Desta região muitos partem, vão para terras distantes à procura de melhores condições de vida para si e para os seus. A saudade acompanha-os no seu dia a dia de trabalho. Apesar dos contactos que mantêm durante todo o ano com a família e os amigos, é no verão, com o regresso às suas terras, que matam as saudades, que revivem histórias passadas, que rejuvenescem e recuperam forças para novo ano de labuta.
 Buraco de Santiago, Serra da Estrela
Há terras abandonadas e esquecidas pelo sucessivos governantes onde a desertificação humana é uma dura realidade. A desertificação é notícia nos jornais. Os governantes mais “cuidados” vão referenciando, nos seus discursos, que é preciso tomar medidas para evitar a desertificação humana no interior do país. Fazem visitas, fazem pequenas inaugurações, mas não tomam medidas de fundo que alterem esta situação.
É preciso olhar para os que ficam nestas terras, numa luta desigual, e tomar medidas necessárias que criem condições de trabalho ao regresso de muitos e à não partida de outros. Se as condições de vida melhorassem, muitos jovens permaneceriam nestas terras, contribuindo generosamente com o seu trabalho para o desenvolvimento económico desta região esquecida, implicando inevitavelmente o desenvolvimento económico nacional.
Este facto é reconhecido por todos: moradores, autoridades locais, jornalistas, políticos e governantes. Mas a situação permanece na mesma ou pior, apesar da preocupação de alguns e das promessas de muitos...
Lagar da Moira Restaurado
Reconhecer esta situação nada tem de inovador mas seria um passo positivo, no contexto actual, promover uma discussão séria, conclusiva e propor alterações, pois a transformação desta situação é urgente e, talvez, este facto seja, então, inovador.
A transformação desta situação exige uma grande reflexão sobre que País queremos, que harmonia pretendemos e que desenvolvimento serve a sociedade que desejamos.
Sem coragem para debater seriamente esta problemática não é possível tomar medidas centrais que promovam o equilíbrio regional e nacional no desenvolvimento harmonioso.
Contribuir para esta transformação é um dos nossos deveres.
O nosso lema é inspirado no poema "Recomeça" de Miguel Torga.
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